OPORTUNIDADEMT deve ganhar com guerra tarifária entre EUA e China Publicado em 10/04/2025 às 9:00 A guerra comercial instaurada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode gerar uma reconfiguração econômica global com efeitos distintos nos estados brasileiros. De acordo com estudo realizado pelo Núcleo de Estudos em Modelagem Econômica e Ambiental Aplicada (Nemea), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), estados cuja economia é fortemente apoiada no agronegócio tendem a sair ganhando.Mato Grosso é um dos principais exemplos. Segundo os pesquisadores, a forte atuação do estado na produção de soja e outras commodities agropecuárias garante vantagem competitiva em um cenário de reacomodação da demanda global. Ao mesmo tempo, estados mais industrializados, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, devem amargar perdas significativas.“Adaptamos modelos para entender como as tarifas comerciais dos EUA e da China afetam a economia brasileira e mundial”, explica o pesquisador Edson Paulo Domingues, do Nemea. O estudo aponta que, no conjunto, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro teria um pequeno efeito positivo de 0,02%.Contudo, os efeitos locais e setoriais são variados. O setor industrial de ferro e aço, por exemplo, está entre os mais afetados negativamente. Em contrapartida, a produção agropecuária, especialmente nos estados centrais do país, tende a se beneficiar com o novo posicionamento dos fluxos de exportação.O estudo também utilizou um modelo computacional que considera a cadeia produtiva de cada estado e o comércio interestadual. Assim, um efeito positivo em Mato Grosso pode gerar impacto em outros setores, como a fabricação de máquinas em outras regiões.Domingues explica ainda que o efeito é indireto mas relevante. “Os estados que exportam para a China ou para parceiros que substituem produtos chineses podem se beneficiar do redirecionamento das importações”, afirma.Com isso, Mato Grosso deve se posicionar entre os vencedores dessa guerra tarifária, demonstrando mais uma vez a resiliência e importância estratégica do agronegócio nacional em tempos de turbulência internacional.