Aumento do ISS em Cuiabá expõe ruptura de diálogo e acende alerta no setor imobiliário

Aumento do ISS em Cuiabá expõe ruptura de diálogo e acende alerta no setor imobiliário
Publicado em 10/01/2026 às 8:43

Fonte: Pauta Livre MT/Cleber Romero (foto: reprodução)

A proposta de aumento do Imposto Sobre Serviços (ISS) em Cuiabá provocou forte reação de representantes do setor imobiliário e empresarial e abriu uma crise política precoce na gestão do prefeito Abilio Brunini. A principal crítica não se limita ao mérito da medida, mas à ausência total de diálogo prévio com os segmentos diretamente afetados.

Durante reunião aberta com lideranças do setor, o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso, Claudecir Conttreira, fez uma cobrança dura, pública e politicamente simbólica. Em tom firme, lembrou que o aumento de impostos não fez parte das promessas de campanha que levaram Abilio à Prefeitura. “O senhor não foi eleito com essa proposta. É o contrário. O senhor prometeu queda de impostos”, afirmou Conttreira, ao lembrar que votou no prefeito no segundo turno e, por isso, se sente legitimado a cobrar coerência.

A crítica ganha peso justamente por vir de dentro da base eleitoral que ajudou a eleger o prefeito. Conttreira reforçou que sempre defendeu o diálogo institucional e que, em um tema sensível como tributação, o mínimo esperado seria ouvir corretores, prestadores de serviço e empresários antes de qualquer decisão. “Num tema tão sensível como esse, o correto teria sido ouvir o setor antes. Isso não aconteceu. Por isso, faço agora um apelo para que essa postura seja revista com urgência”, declarou.

Ao longo da reunião, o presidente do Creci resgatou um dos principais discursos de campanha de Abilio Brunini a ideia de que reduzir impostos gera mais empregos, conceito amplamente defendido por setores liberais da economia. “O senhor dizia: à medida que diminui o imposto, aumenta-se o emprego. É nisso que eu acredito. Tributar empresários não gera resultado efetivo”, afirmou.

A fala evidencia o que hoje já é visto por empresários como uma contradição entre o discurso eleitoral e a prática administrativa. Para o setor imobiliário, o aumento do ISS impacta diretamente corretores, imobiliárias, construtoras e toda a cadeia de serviços que sustenta emprego, renda e arrecadação na capital.

Conttreira foi direto ao apontar as consequências práticas da medida caso não haja revisão. Segundo ele, a partir de março muitos empresários enfrentarão sérias dificuldades, com reflexos diretos na geração de empregos e no dinamismo econômico da cidade. “Se nada mudar, quem perde no fim é a própria Cuiabá”, alertou.

A cobrança pública expõe um ponto sensível da atual gestão: a relação com o setor produtivo. Mais do que uma divergência pontual, o episódio sinaliza que decisões tomadas sem escuta podem comprometer a confiança de quem investe, produz e gera empregos.