UFMT perde R$ 1,4 milhão, desvia R$ 13,5 milhões de obras e expõe falhas graves de gestão na Reitoria Publicado em 03/02/2026 às 18:31 Redação Pauta Livre (foto: assessoria/arquivo)A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) encerrou 2025 com um prejuízo direto de R$ 1,4 milhão em recursos federais não executados e com o desvio de R$ 13,5 milhões originalmente destinados à conclusão do Câmpus de Várzea Grande para despesas alheias à obra. As decisões ocorreram sob a gestão da reitora Marluce Aparecida Souza e Silva, contrariando deliberações da Bancada Federal de Mato Grosso e dos três Conselhos Superiores da própria universidade.Parte dos recursos foi utilizada em execuções tardias, fragmentadas e sem conexão com o objetivo pactuado. O caso mais emblemático envolve um repasse de cerca de R$ 2 milhões à Fundação Uniselva por meio de um projeto concebido, executado e encerrado em apenas 15 dias, sem metas claras, sem detalhamento técnico compatível e sem qualquer vínculo com o Câmpus de Várzea Grande. O episódio enfraquece a principal justificativa apresentada pela Reitoria — a suposta falta de pessoal especializado ao demonstrar que havia capacidade administrativa quando a destinação não envolvia a obra prioritária.A situação se agrava porque, ainda em agosto de 2025, a Comissão de Acompanhamento de Obras do Câmpus de Várzea Grande (CAOCUVG) alertou formalmente a Reitoria sobre a obrigatoriedade legal de executar integralmente os recursos da emenda de bancada, de destinação vinculada. O ofício indicava, inclusive, a solução administrativa mais rápida e segura: o aditamento do convênio já existente com o Governo do Estado. As recomendações técnicas foram ignoradas.Meses depois, a própria Coordenação de Planejamento e Orçamento da UFMT confirmou a existência de mais de R$ 11 milhões disponíveis, aguardando apenas definição de direcionamento. Havia recurso, havia tempo, havia orientação técnica e havia respaldo legal. O que não houve foi decisão política para cumprir o que estava pactuado institucionalmente.A gravidade do caso se amplia no contexto nacional de estrangulamento orçamentário das universidades federais. Reportagem da Folha de S.Paulo mostra que, diante da queda superior a 50% no orçamento discricionário desde 2014, as emendas parlamentares tornaram-se vitais para investimentos estruturantes. Em 2025, as universidades federais receberam R$ 571 milhões em emendas — quatro vezes mais que em 2014. Nesse cenário, a execução correta, transparente e tempestiva deixou de ser acessória e passou a ser condição de sobrevivência institucional.Apesar disso, a UFMT executou os recursos de 2025 de forma improvisada, perdeu parte do montante e comprometeu sua credibilidade junto à Bancada Federal. O reflexo foi imediato: enquanto o IFMT assegurou R$ 85 milhões em emendas para 2026, a UFMT não obteve nenhum novo recurso estruturante para o próximo exercício.Casos semelhantes reforçam um padrão preocupante. No âmbito do Novo PAC, recursos originalmente destinados aos Câmpus de Sinop e do Araguaia foram alvo de tentativas de remanejamento para o Câmpus Cuiabá, sem autorização do MEC e sem execução efetiva ao final do exercício. O resultado é a manutenção de obras inacabadas no interior e o risco de devolução de verbas por falta de aplicação.Soma-se a isso a fragilização da governança interna, com ausência de transparência sobre a submissão dessas mudanças orçamentárias aos Conselhos Superiores competentes. Alterações de grande impacto passaram a ser conduzidas de forma centralizada, esvaziando o debate colegiado e comprometendo a legitimidade das decisões.O saldo é inequívoco: Várzea Grande segue sem sede definitiva, Sinop permanece com obras paralisadas, o Araguaia continua sem investimentos estruturantes e a política de multicampia se mantém mais no discurso do que na prática. Mais do que números, o episódio expõe uma gestão marcada por improviso, centralização e desrespeito a decisões pactuadas — com prejuízos institucionais que já se projetam para além de 2025.Outro ladoPauta Livre MT não conseguiu contato com a assessoria da UFMT em Cuiabá