ORÇAMENTO FEDERAL

UFMT pode colapsar após ficar zerada em emendas por falta de articulação da reitora

UFMT pode colapsar após ficar zerada em emendas por falta de articulação da reitora
Publicado em 10/02/2026 às 14:02

Fonte: Pauta Livre MT (foto: reprodução)

Mesmo com alinhamento público ao governo do presidente Lula, a Universidade Federal de Mato Grosso ficará sem receber qualquer emenda parlamentar de bancada em 2026, segundo documentos oficiais do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA 2026). A ausência total de recursos expõe a fragilidade da interlocução política da atual gestão da reitoria, comandada por Marluce Aparecida Souza e Silva, e acende um alerta sobre o risco de colapso financeiro e operacional da instituição.

De acordo com as atas da reunião da Bancada Federal de Mato Grosso e os registros do sistema Lexor do Congresso Nacional, foram aprovadas 8 emendas de bancada, somando R$ 415,7 milhões para diferentes áreas e instituições. Nenhum centavo foi destinado à UFMT.

Os dados mostram que, enquanto a UFMT ficou completamente fora da partilha, outras instituições federais foram amplamente contempladas. O Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) recebeu R$ 85,6 milhões para expansão, consolidação e reestruturação de suas unidades em Cuiabá. Já a Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) garantiu R$ 6 milhões para a conclusão do prédio administrativo da reitoria, obra considerada estratégica para a governança da instituição.

Além da área educacional, a bancada priorizou recursos robustos para a saúde. Somente para o custeio da assistência hospitalar e ambulatorial, o Estado de Mato Grosso foi contemplado com R$ 148,3 milhões, enquanto a atenção primária à saúde recebeu outros R$ 115,1 milhões. Municípios como Rondonópolis, Várzea Grande e Nova Monte Verde também foram beneficiados com emendas milionárias voltadas a infraestrutura e desenvolvimento regional.

No caso específico da UFMT, os documentos revelam um ponto crítico. Uma emenda anterior destinada à conclusão das obras do campus de Várzea Grande não foi repetida em 2026 sob a justificativa de que “já constam recursos suficientes para a conclusão”. No entanto, o próprio relatório técnico anexo à ata registra que não houve execução financeira da obra, o que reforça questionamentos sobre a capacidade da atual gestão em converter orçamento em entregas concretas.

Especialistas em orçamento público avaliam que a exclusão da UFMT não decorre apenas de critérios técnicos. Emendas de bancada dependem de articulação política ativa, presença institucional em Brasília e diálogo permanente com deputados e senadores. Nesse contexto, a ausência total da universidade no PLOA 2026 evidencia isolamento político da reitoria, mesmo em um cenário de afinidade ideológica com o governo federal.

O paradoxo é evidente. Apesar do apoio público ao presidente Lula, esse alinhamento não se traduziu em resultados orçamentários. Na prática, a principal universidade do estado inicia 2026 sem reforço parlamentar, enquanto instituições menores ou mais novas conseguiram assegurar recursos significativos.

Entre servidores, docentes e estudantes, cresce a preocupação. Sem emendas, investimentos em infraestrutura, laboratórios, expansão acadêmica e até a manutenção de serviços essenciais ficam ameaçados. No orçamento, os números falam com clareza: a UFMT ficou no zero — um cenário que pode empurrar a instituição para um colapso administrativo e financeiro evitável, caso houvesse articulação política efetiva