BASTIDORES DO PODERGrupo “UFMT com Lula” expõe reação coordenada e blindagem política da reitora após críticas sobre emendas Publicado em 11/02/2026 às 9:09 Fonte: Pauta Livre MT (foto: reprodução)Mensagens trocadas no grupo de WhatsApp “UFMT com Lula”, formado por docentes e servidores da Universidade Federal de Mato Grosso, revelam um ambiente de tensão política interna, tentativas de controle da narrativa pública e uma ação coordenada de apoiadores da reitora Marluce Aparecida Souza e Silva após a divulgação de críticas envolvendo a condução de emendas parlamentares.As conversas, registradas em prints obtidos com exclusividade pela reportagem do Pauta Livre MT, mostram que a própria reitora compartilha no grupo um link de matéria publicada em site local, defendendo a atuação da gestão e pedindo, em seguida, “ampla divulgação” do conteúdo. O movimento é interpretado por integrantes como uma tentativa de uniformizar o discurso diante da repercussão negativa do caso.Logo após o compartilhamento, um dos membros do grupo, assume postura mais dura em defesa da reitoria. Em mensagem extensa, ele afirma que “não houve erro”, “não houve invasão de autonomia” e que existiria anuência parlamentar para a utilização dos recursos, afastando qualquer irregularidade administrativa ou fiscal.No entanto, as próprias mensagens revelam que essa versão é contestada internamente. Outro participante do grupo rebate diretamente a narrativa, apontando que o Conselho Diretor não teria autonomia para alterar o objeto da emenda, mesmo com autorização genérica da bancada, e classifica a situação como um “problema gravíssimo”, com potencial enquadramento em crime de responsabilidade fiscal.A resposta da reitora chama atenção pelo tom. Em vez de apresentar esclarecimento técnico detalhado no próprio grupo, ela questiona se o interlocutor “não viu a autorização da bancada” e pede que ele “abra o arquivo”, encerrando o debate com a frase “depois posso te explicar”.Outro ponto sensível exposto nas mensagens é a divergência sobre o objeto da emenda. Um dos participantes ressalta que, embora houvesse autorização para reformas físicas, como telhados e banheiros, o cabeamento de internet dos campi não constaria no objeto autorizado, caracterizando uma alteração da própria alteração da emenda, o que reforça o conflito interpretativo.O grupo “UFMT com Lula”, criado originalmente para alinhar pautas institucionais ao governo federal, acaba funcionando, segundo os prints, como um espaço de blindagem política, onde críticas são rapidamente enfrentadas por apoiadores da gestão e substituídas por uma narrativa de normalidade administrativa.Nos bastidores da universidade, o episódio aprofunda o desgaste da reitoria. Para docentes ouvidos pela reportagem, o problema vai além da legalidade estrita das emendas. Trata se de falta de diálogo interno, tentativa de controle da comunicação e uso de espaços coletivos para defesa política pessoal, em vez de esclarecimento institucional.As mensagens reforçam a percepção de que a crise envolvendo as emendas não é apenas orçamentária, mas também política e de governança.