Após morte de paciente, prefeitura contesta responsabilidade por falta de medicamento Publicado em 26/03/2026 às 9:06 Fonte: Redação Pauta Livre MT (foto: divulgação)A morte de Clarice Dias da Cruz, em Tabaporã, após mais de um ano à espera de medicamento judicializado, ganhou novos desdobramentos com encaminhamento, ontem, de nota ao portal Pauta Livre MT pela secretária de saúde do município, Elenice Donizete Ribeiro de Paula, que contesta parte das críticas e apresenta sua versão dos fatos.De acordo com a secretária, a ação foi proposta pelo Ministério Público em dezembro de 2025, e o fornecimento do medicamento ZEMAIRA 1000 MG só foi determinado pela Justiça em 18 de fevereiro de 2026, com intimação no dia seguinte. A gestão afirma que o remédio é de alto custo e não está incorporado ao Sistema Único de Saúde, razão pela qual solicitou que a responsabilidade fosse direcionada ao Estado de Mato Grosso .A Prefeitura também informou que a paciente foi regulada no SUS no dia 6 de março e internada no dia seguinte na UTI do Hospital São Lucas, em Lucas do Rio Verde. Segundo a unidade hospitalar, a causa da morte foi insuficiência respiratória, associada a pneumonia e doença pulmonar obstrutiva crônica.Na nota, o Município destaca ainda que Clarice era portadora de uma doença genética e que o medicamento solicitado não teria efeito curativo, apenas auxiliar no controle da condição. A gestão também mencionou que a paciente já havia ingressado com ação semelhante em 2020, posteriormente extinta por abandono.Apesar da manifestação oficial, o caso segue cercado de questionamentos. A principal crítica permanece: o tempo entre a decisão judicial e a efetiva disponibilização do medicamento. Para especialistas, em situações de saúde grave, a demora pode ser determinante — e, neste caso, pode ter custado uma vida.O episódio reacende o debate sobre a responsabilidade dos entes públicos no fornecimento de tratamentos de alto custo e sobre os limites entre burocracia administrativa e o direito fundamental à vida.