Câmara de Feliz Natal abre comissão processante contra Remy da Farmácia após aceitar denúncia

Câmara de Feliz Natal abre comissão processante contra Remy da Farmácia após aceitar denúncia
Publicado em 14/04/2026 às 8:35

Fonte: Pauta Livre MT (foto: Cleber Romero)

A Câmara Municipal de Feliz Natal aprovou, ontem à noite o recebimento da denúncia por quebra de decoro parlamentar contra o vereador Remy da Farmácia (PL) e autorizou a abertura de uma comissão processante para investigar o caso. A decisão dá início ao trâmite interno que pode resultar na cassação do mandato.

A sessão atraiu mais de 200 pessoas e registrou plenário lotado. A Polícia Militar foi acionada para reforçar a segurança durante os trabalhos.

A denúncia foi aceita por cinco votos a dois. O presidente da Câmara, Wesley Mirandola (PSB), e o vereador investigado não participaram da votação. Em seguida, os parlamentares rejeitaram a proposta de afastamento imediato de Remy.

O momento surpreendeu o público ao revelar divergências entre aliados políticos do vereador. Ernandis Alves (PL) e Raquel Pires (Podemos) — apontados como próximos de Remy — votaram pelo afastamento cautelar do colega.

A representação foi apresentada pela Associação de Apicultores e Meliponicultores do Norte de Mato Grosso, que também levou o caso ao MPF, Ibama e Funai. As denúncias envolvem suposta participação do vereador em expedições de pesca esportiva dentro do Parque Indígena do Xingu, área de acesso restrito, com possível cobrança de valores que poderiam chegar a R$ 5 mil por pessoa.

Comissão processante definida

Após a aceitação da denúncia, foi realizado o sorteio para formação da comissão processante, como determina o Decreto‑Lei nº 201/1967. O colegiado ficou composto por:

André Caldeira (MDB) – Presidente

Vieira da Saúde (PSB) – Relator

Raquel Pires (Podemos) – Membro

O presidente da comissão afirmou que os trabalhos começam imediatamente.
“Vamos levantar todas as informações. O prazo é curto, mas a denúncia é grave e vamos agir dentro da legalidade”, disse André Caldeira.

O relator destacou o caráter técnico da fase inicial.
“Hoje não era julgamento, era o recebimento da denúncia. Agora vamos analisar com calma, garantindo o direito de defesa”, afirmou Vieira da Saúde, justificando seu voto contra o afastamento imediato.

A vereadora Adriana de Souza (MDB) classificou o momento como “delicado” para o Legislativo, mas defendeu a investigação:
“Se há denúncia, precisamos apurar. Se não houver irregularidade, será esclarecido.”

A vereadora Raquel Pires não se pronunciou.

Críticas à imprensa e nova denúncia

Durante a sessão, Remy da Farmácia criticou a imprensa presente, mas não deu entrevistas após o encerramento.

O presidente da Câmara confirmou ainda o protocolo de uma segunda denúncia, relacionada ao mesmo tema. Detalhes não foram divulgados.

Defesa rebate acusações

Em nota, a defesa do vereador — representada pelo advogado Ubiratan de Souza Maia — afirmou que não houve qualquer irregularidade e que a denúncia “carece de fundamento legal”.

O advogado argumenta que o turismo de pesca em terras indígenas teria respaldo:

no artigo 27 da Lei Federal 14.701/2023;

no artigo 7º da Convenção 169 da OIT;

em decisão liminar da Justiça Federal que ainda aguarda julgamento no TRF‑1.

A defesa avalia medidas judiciais para contestar o recebimento da denúncia.

Próximos passos

A comissão processante terá até 90 dias para concluir a investigação, podendo realizar oitivas, diligências, coleta de documentos e análise das provas. Ao final, apresentará relatório recomendando:

arquivamento, ou

prosseguimento para julgamento em plenário, que poderá resultar na cassação do mandato.

O caso segue gerando repercussão no município e deve dominar a agenda política de Feliz Natal nas próximas semanas.