Falta de transparência na entrega do Regional de Sinop a consórcio sem experiência vai parar na Justiça Publicado em 24/05/2026 às 12:42 Faltando menos de 24 horas para a assinatura prevista pelo Governo de Mato Grosso, documentos considerados centrais para justificar a entrega do Hospital Regional Jorge Abreu, em Sinop, ao Consórcio Público de Saúde Vale do Teles Pires ainda não foram apresentados publicamente.O Estado prevê assinar na segunda-feira (25), às 9h, no Palácio Paiaguás, a transferência da gestão da principal unidade hospitalar do Nortão para um consórcio que, segundo os questionamentos apresentados na ação, nunca administrou anteriormente um hospital regional de alta complexidade.O Hospital Regional de Sinop atende pacientes de 35 municípios e mais de 869 mil habitantes do Norte de Mato Grosso, funcionando como referência para atendimentos de UTI, neurocirurgia, cirurgias de urgência e casos ligados ao sistema de vaga zero.Mesmo às vésperas da assinatura, ainda não foram apresentados publicamente pareceres jurídicos, estudos técnicos, plano de trabalho e eventual termo aditivo relacionado ao imóvel onde funciona o hospital.Antes da judicialização, um pedido administrativo de acesso à informação foi enviado em 19 de maio à Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) e à Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT).A solicitação pedia acesso aos documentos relacionados à transferência da gestão do hospital.A resposta administrativa, porém, ficou prevista para 9 de junho, data posterior à assinatura marcada pelo governo.Diante disso, uma ação foi protocolada em 21 de maio na Vara Especializada da Fazenda Pública de Sinop, sob o número 1017175-54.2026.8.11.0015, pedindo a suspensão imediata da assinatura até apresentação dos documentos e esclarecimentos sobre a mudança.A ação questiona a ausência de informações públicas sobre garantias de continuidade dos serviços, critérios técnicos usados para escolha do modelo e eventual consulta ao Conselho Estadual de Saúde.Outro ponto levantado envolve eventual termo aditivo ao documento firmado em 2011 entre o Estado e a Prefeitura de Sinop, apontado como necessário para alteração do modelo inicialmente previsto para gestão da unidade.O Consórcio Público de Saúde Vale do Teles Pires é presidido pelo prefeito de Lucas do Rio Verde, Miguel Vaz Ribeiro, aliado político do governador Otaviano Pivetta e ex-vice-prefeito na gestão do atual chefe do Executivo estadual.Caso a assinatura seja mantida, o grupo passará a administrar uma das estruturas hospitalares mais importantes do SUS regional.A nova etapa ocorre em meio a uma sequência recente de crises na saúde estadual.Em abril, o Hospital Regional de Colíder foi interditado após fiscalização apontar 228 irregularidades estruturais e operacionais, incluindo falhas em UTI, materiais enferrujados, presença de pragas e problemas sanitários.Dias depois, o governo anunciou mudanças no Samu estadual e desligamento de profissionais do serviço, decisão parcialmente revertida após pressão do Ministério da Saúde.Agora, a entrega do Regional de Sinop a um consórcio sem experiência hospitalar ampliou a cobrança por transparência, critérios técnicos e garantias sobre continuidade dos serviços.Documentos da própria Secretaria de Estado de Saúde também passaram a alimentar os questionamentos.Um deles é o processo administrativo SES-PRO-2025/82074, publicado dias antes da assinatura prevista do convênio, no qual a SES trata serviços do Hospital Regional como estrutura sob “gestão direta da Secretaria de Estado de Saúde”.Outro ponto envolve chamamento público aberto pela própria SES para o Hospital Estadual do Alto Tapajós, em que a participação de consórcios foi vetada e houve exigência de experiência hospitalar comprovada.Segundo a ação, critérios semelhantes não foram apresentados publicamente no caso do Hospital Regional de Sinop.Até o momento, o Governo de Mato Grosso não respondeu aos questionamentos encaminhados sobre os critérios adotados para a mudança e os documentos relacionados ao processo.