Nova usina de etanol em Sinop marca novo ciclo de industrialização no agronegócio de Mato Grosso

Com investimento de R$ 1 bilhão, planta da Evermat terá capacidade anual de produção superior a 215 milhões de litros de etanol, além de energia e coprodutos. Unidade deve começar a operar no primeiro trimestre de 2026.

Nova usina de etanol em Sinop marca novo ciclo de industrialização no agronegócio de Mato Grosso
Canteiro de obras da Evermat em Sinop - Foto: Reprodução
Publicado em 12/09/2025 às 15:39

Fonte: Raiane Florentino/Pauta Livre MT

A cidade de Sinop se prepara para dar um passo significativo em direção à industrialização do agronegócio com o pré-lançamento da nova usina de etanol da Evermat. O empreendimento, apresentado nesta quinta-feira (12), promete transformar o milho em combustível, energia e insumos para a cadeia da proteína animal.

O projeto foi lançado em cerimônia realizada nas imediações da obra às margens da BR-163. O evento contou com a presença do governador Mauro Mendes, do vice-governador Otaviano Pivetta, deputados federais, lideranças locais e estaduais, empresários e produtores rurais que participam da composição societária da usina.

Segundo o presidente da Evermat, Tiago Stefanello, a planta possui uma área construída de 105 mil metros quadrados, e terá capacidade de processar 1.250 toneladas de milho por dia, produzindo até 215 milhões de litros de etanol hidratado ou 207,5 milhões de litros de etanol anidro por ano. O volume é suficiente para abastecer amplamente o mercado regional e atender demandas estratégicas do setor energético e de transportes.

A usina também terá uma expressiva produção de coprodutos, serão geradas anualmente cerca de 134 mil toneladas de DDGS, além de 7,9 mil toneladas de óleo de milho e a cogeração de 13 megawatts (MW) de energia elétrica, aproveitando a biomassa resultante do processo de moagem e fermentação.

A sociedade por trás do projeto é composta por 36 famílias de produtores rurais da região de Sinop, todos com histórico de atuação no agronegócio, logística e energia. O objetivo, segundo Stefanello, é ampliar a verticalização da produção agrícola no estado e oferecer um produto competitivo e sustentável para o mercado brasileiro.

Durante o lançamento, o governador Mauro Mendes destacou que a nova planta representa um marco no avanço da industrialização em Mato Grosso, especialmente na cadeia do milho. “Nós já somos o maior produtor de etanol de milho do país e em pouco tempo seremos o maior produtor de etanol em geral do Brasil, superando São Paulo. É mais uma indústria de transformação de matéria prima e produto acabado, que agrega valor, gera emprego qualificado, trás tecnologia e vai contribuir ainda mais para o desenvolvimento da região de Sinop”, afirmou.

O secretário de desenvolvimento econômico do município, José Pedro Serafini, também ressaltou o impacto positivo da usina na economia local. “Sinop está passando por um processo de industrialização como nunca ocorreu na história e não de um único produto, mas dos seus derivados. O DDG, o etanol, o óleo e outros componentes que vão fazer com que outras indústrias venham para o município”, pontuou.

Já o presidente em exercício da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso, Carlos Avallone, ressaltou a importância do investimento em tecnologia sustentável no agronegócio brasileiro. “A federação entra nisso com a qualificação, o estudo, trazendo para cá uma estrutura fantástica do Sesi e do Senai. Juntos nós vamos com que esse desenvolvimento seja sustentável e o etanol é uma mostra disso, porque estamos dando qualidade ao produto“, comentou.

As obras da usina já estão em andamento e a previsão é que a operação comece no primeiro trimestre de 2026. O empreendimento deve gerar centenas de empregos diretos e indiretos, com impactos positivos na renda local, no fortalecimento do setor de transportes e serviços, e na consolidação de Mato Grosso como modelo nacional de industrialização sustentável no campo.

Mato Grosso: potência do milho e do etanol

Mato Grosso é o maior produtor de milho do Brasil, com uma produção de 55,1 milhões de toneladas no ciclo 2024/25, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgados nesta quinta-feira (11). O avanço da segunda safra, que já teve a colheita finalizada, consolidou o Estado como líder absoluto tanto em volume quanto em produtividade por hectare.

A abundância de matéria-prima, aliada à infraestrutura logística crescente e ao empreendedorismo local, tem impulsionado a expansão de usinas de etanol de milho em todo o território mato-grossense. Hoje, o estado concentra 77% da capacidade instalada nacional, com mais de 2,5 bilhões de litros ao ano, segundo a União Nacional do Etanol de Milho (Unem). Já a Indústria de Bioenergia de Mato Grosso (BIOIND) destaca que o estado responde por cerca de 80% do etanol de milho no país.

Além de contribuir com a matriz energética limpa do país, o etanol de milho tem sido estratégico para a redução da dependência de combustíveis fósseis, para a estabilização de preços no setor sucroenergético e para o incremento das exportações brasileiras de derivados agroindustriais.