Após pedir votos para Janaína em 2022, Medeiros agora tenta barrá-la do palanque do PL Publicado em 26/07/2026 às 11:03 Fonte: Deixa Que Eu Te Conto (foto: divulgação)O deputado federal José Medeiros (PL) fez campanha ao lado de Janaína Riva (MDB) em 2022 e pediu votos para a então candidata à reeleição na Assembleia Legislativa. Quatro anos depois, com os dois na disputa pelo Senado, Medeiros tornou-se o principal obstáculo para uma aliança entre o PL e a antiga parceira eleitoral.A resistência foi confirmada durante a convenção estadual do PL, realizada em 22 de julho. Ao explicar o veto ao MDB, o presidente estadual da legenda, Ananias Filho, afirmou que precisava considerar a posição de Medeiros, oficializado candidato ao Senado.A mudança de postura levanta uma pergunta simples: por que Janaína era considerada uma aliada aceitável quando Medeiros buscava votos para deputado federal, mas passou a representar uma ameaça política justamente quando se tornou concorrente direta por uma das duas vagas ao Senado?Material da campanha de 2022 obtido pelo portal Deixa Que Eu Te Conto mostra Medeiros e Janaína apresentados juntos ao eleitor. Naquela eleição, ele disputava uma cadeira na Câmara Federal e ela buscava renovar o mandato de deputada estadual.Janaína já estava no MDB. Sua trajetória política era conhecida. Ainda assim, a diferença partidária não impediu a dobradinha nem o pedido conjunto de votos.Os dois foram eleitos.Em 2026, o cargo disputado mudou e o discurso de Medeiros também.Desde março, o deputado cobra do PL uma posição pública contra uma composição com o MDB. Medeiros chegou a exigir uma declaração formal do partido descartando a aliança com Janaína.O parlamentar sustenta que não confia no alinhamento político da deputada com as pautas conservadoras defendidas pelo PL. Ao mesmo tempo, já afirmou que não se opõe a um eventual apoio de Janaína ao projeto presidencial de Flávio Bolsonaro. A resistência seria especificamente contra a presença dela na mesma chapa ao Senado.Na prática, Medeiros aceita o apoio político de Janaína a Flávio, mas rejeita dividir com ela o palanque em Mato Grosso.Essa distinção enfraquece o argumento de que o problema seria apenas ideológico.O cenário nacional do MDB também torna o veto mais difícil de explicar como uma defesa pura da direita. A direção nacional da legenda sinalizou que deve manter neutralidade na eleição presidencial e liberar os diretórios estaduais para escolherem seus próprios caminhos. Dirigentes de 17 estados entregaram um manifesto contra uma aliança nacional com Lula.Dentro do próprio MDB, há setores que já caminham com Flávio Bolsonaro. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, declarou apoio ao candidato do PL e passou a colaborar com seu projeto presidencial. Outros diretórios também discutem palanques ligados à direita. Em Mato Grosso, Janaína também tem reafirmado sua identificação com a direita e rejeitado as críticas de Medeiros. A deputada diz que nunca ficou “em cima do muro” e sustenta que sua posição política não mudou. O que mudou de forma objetiva foi sua posição eleitoral.Janaína passou a disputar diretamente com Medeiros uma vaga no Senado e aparece à frente dele nas pesquisas.Levantamento da Percent Brasil, realizado entre 18 e 22 de junho, colocou Janaína com média de 18,5% entre o primeiro e o segundo votos. Medeiros apareceu com 11%. Na segunda escolha para o Senado, Janaína liderou com 14,8%, enquanto o deputado do PL registrou 12,1%. A pesquisa ouviu 1.200 eleitores e foi registrada na Justiça Eleitoral.Em pesquisa anterior do mesmo instituto, Janaína também ocupava a segunda colocação, com 17%, enquanto Medeiros aparecia com 10%.Os números não provam qual é a motivação pessoal do deputado. Revelam, porém, um fato político: a antiga aliada tornou-se uma adversária competitiva e ameaça ocupar justamente a vaga buscada por Medeiros.Ao mantê-la fora do palanque do PL, o parlamentar evita dividir com Janaína a estrutura partidária, a campanha de Wellington Fagundes ao Governo e o eleitorado identificado com Flávio Bolsonaro.Essa pode ser uma estratégia eleitoral legítima. O problema está em apresentá-la como uma incompatibilidade ideológica absoluta quando o histórico mostra uma relação diferente.Em maio, o próprio Medeiros chegou a admitir que disputaria o Senado ao lado de Janaína caso a direção nacional autorizasse a aliança. Disse que discordaria, mas respeitaria a decisão do partido.Pouco tempo depois, a aceitação condicionada deu lugar ao veto.Medeiros tem o direito de defender a composição que considere mais favorável à sua candidatura. Também pode mudar de estratégia entre uma eleição e outra.Mas a sequência dos fatos permanece.Em 2022, Janaína estava no MDB e recebeu o apoio de Medeiros.Em 2026, continua no mesmo partido, aproxima-se do campo de Flávio Bolsonaro e aparece à frente do deputado nas pesquisas.O que mudou não foi a sigla de Janaína. Mudou o cargo que ela disputa e o risco que passou a representar para o projeto eleitoral de Medeiros.A questão que o deputado ainda precisa responder é direta: Janaína deixou de ser uma aliada confiável para a direita ou apenas deixou de ser conveniente para sua candidatura?