Com dedicação e apoio técnico, produtor colhe 3 mil kg de pitaya em Santa CarmemEm Santa Carmem (MT), o produtor Gelson superou os desafios do calor intenso e, com apoio técnico e manejo orgânico, colheu 3 mil kg de pitaya em 2024. A fruta, cultivada em sistema familiar, também ajuda a alimentar alunos da rede pública. Produtor de Santa Carmem possui mais de mil pés da fruta - Foto: Raiane Florentino Publicado em 05/09/2025 às 9:00 FONTE: Raiane Florentino/Pauta Livre MTNo pequeno sítio de Gerson Ferreira, localizado em Santa Carmem, no norte de Mato Grosso, a produção de frutas é intensa e cheia de sabor. Entre abacaxis, cupuaçus, laranjas, limões e melancias, uma fruta em especial vem ganhando destaque: a pitaya, também conhecida como “fruta do dragão”.Com seu visual exótico e seus diversos benefícios à saúde, a pitaya tem conquistado espaço nas propriedades da agricultura familiar do estado. A produtividade média pode chegar a 20 toneladas por hectare. E Gerson foi um dos pioneiros no cultivo da fruta na região.“O meu genro instruiu a gente para começar a cultivar a pitaya depois que ele viu uns vídeos sobre a fruta. Daí a gente plantou e deu certo. Quando eu comecei a plantar a ‘turma’ falava que eu era meio atrapalhado por plantar cacto, porque eles não conheciam“, comenta o produtor.Início desafiador no cultivo da pitayaApesar de crescer em cactos, a pitaya não é tão resistente ao calor como muitos pensam. No início do cultivo, Gerson enfrentou grandes dificuldades com as altas temperaturas. Durante a seca, quando os termômetros ultrapassam os 40 °C em Mato Grosso, os mais de mil pés da fruta começaram a sofrer queimaduras provocadas pelo sol intenso.Para contornar o problema, ele buscou apoio técnico com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e adotou o uso de sombrites, uma cobertura simples, mas eficaz, que protege as plantas do excesso de luz e calor.“Tudo é um aprendizado. O sol queima demais a planta, daí veio a ideia de cobrir e deu certo. Tem que ser um sobrio de 50%, ajuda na produção e no trabalho também”, explica.Produção orgânica e técnica própria de adubaçãoAdepto da produção orgânica, Gerson desenvolveu sua própria técnica de adubação, totalmente livre de produtos químicos. O processo começa com a poda dos galhos secos ou danificados. Todo esse material é triturado e transformado em um composto rico em nutrientes, misturado com folhas e resíduos orgânicos do próprio sítio.O cuidado com o solo e as plantas deu frutos — literalmente. Em 2024, Gerson colheu 3 mil quilos de pitaya, um marco para uma propriedade familiar de pequeno porte. Parte da produção é destinada à merenda escolar do município, reforçando a alimentação saudável nas escolas da região.Paixão pela terra e pela frutaAlém de agricultor, Gerson também trabalha como vigia noturno para complementar a renda. Mesmo com uma rotina puxada, ele não abre mão dos cuidados com o sítio, mantido com muito esforço, amor e dedicação.“Na realidade da orgulho, ‘né’? É uma fruta que todo mundo gosta e é um trabalho que a gente faz com amor e carinho”.Tópicos agroMato GrossopitayaproduçãoSanta Carmem