Denúncia expõe divergências técnicas sobre rebaixamento da UHE Colíder: foi “uma loucura”, diz engenheiro Publicado em 03/09/2025 às 11:41 Fonte: Cleber Romero (foto: divulgação/arquivo – atualizada às 16h03)Durante um voo de Brasília para Sinop, um funcionário da Copel foi gravado em uma conversa telefônica com engenheiros sobre a decisão da Eletrobrás de rebaixar o nível do reservatório da Usina Hidrelétrica Colíder (UHE Colíder), localizada no norte de Mato Grosso. O diálogo, registrado por um passageiro e obtido com exclusividade pelo PAUTA LIVRE MT, levanta dúvidas sobre a fundamentação técnica da medida e aponta resistência de especialistas que participaram do projeto.Na ligação, o funcionário afirma que a decisão pelo rebaixamento teria sido tomada com base na opinião de um engenheiro específico, identificado como Ricardo Abraão, sem consenso técnico. Segundo ele, geólogos que atuaram diretamente na obra descartam a hipótese aventada de que haveria uma caverna sob a fundação da barragem.“Eles acham isso muito pouco provável, porque o arenito da região é úmido, tem coesão muito alta, não é como o calcário, que é solúvel e pode formar cavernas. No arenito isso não acontece”, disse o funcionário.Ainda segundo o relato do funcionário, a justificativa apresentada para o rebaixamento seria a suspeita de que o reservatório poderia causar colapso em uma possível cavidade subterrânea. No entanto, técnicos contestam. “Se houver uma caverna, rebaixar o reservatório é pior, porque aumenta a pressão efetiva sobre a fundação da barragem. É uma decisão extremamente conservadora, mas pode gerar mais riscos do que soluções”, afirmou.O tom da conversa revela indignação. O funcionário chega a classificar o rebaixamento como “uma loucura” e diz que o procedimento foi adotado sem considerar plenamente instrumentos já instalados na usina, como extensômetros, que são equipamentos capazes de medir deformações e dar diagnósticos mais precisos.DIVERGÊNCIA ENTRE TÉCNICOS E GESTORESA fala expõe um embate entre técnicos de campo e gestores de alto escalão, em especial sobre a condução da segurança da UHE Colíder. Enquanto especialistas locais afirmam que não há base geológica para o risco de caverna sob o arenito, a decisão administrativa optou por reduzir o nível da água como medida preventiva.O caso levanta questionamentos sobre gestão de recursos hídricos, transparência nas decisões e segurança energética. A usina é fundamental para o sistema elétrico do norte de Mato Grosso, e qualquer alteração em sua operação tem impacto direto no abastecimento e na economia local, principalmente aos municípios de Itaúba, Colíder, Nova Canãa do Norte entre outros do Nortão.OUTRO LADOO portal Pauta Livre MT fez contato com assessoria da Copel, que informou desconhecer “tais declarações e segue colaborando com a Eletrobras na condição de operadora da UHE Colíder”.Já a assessoria da Eletrobrás informou que “acerca de áudios aparentemente gravados durante voo comercial em manifestações de profissional ligado à Copel, informamos que a empresa deve ser contactada para esclarecer o conteúdo. A Eletrobras reafirma que, a partir da aquisição da usina em 30/05/2025, não hesitou em tomar todas as medidas necessárias para buscar uma solução definitiva para que a Usina Colíder possa voltar a operar na condição de normalidade, privilegiando a segurança das pessoas, do meio ambiente e do empreendimento”.