Ex-prefeito critica abandono e venda por R$ 11 milhões área do cemitério de Sinop

Ex-prefeito critica abandono e venda por R$ 11 milhões área do cemitério de Sinop
Publicado em 08/06/2025 às 17:54

Fonte: Cleber Romero (foto: reprodução arquivo)

O ex-prefeito de Sinop e ex-deputado federal, Nilson Leitão (PSDB), usou suas redes sociais neste fim de semana para fazer um duro desabafo sobre as condições do Cemitério Municipal e a histórica venda de um terreno anexo ao local. A fala ocorreu após ele sair de um velório, onde presenciou críticas sobre a precariedade da estrutura e a superlotação do espaço.

“Acabei de sair do cemitério.”, iniciou Nilson, afirmando que “antes mesmo da pregação, a gente já ouvia uma reclamação bastante contundente da forma indigna que está sendo tratado esse cemitério. Eu não sou muito de entrar em temas municipais, já fui prefeito e não gosto muito de entrar nisso. Mas essa é uma outra questão.”

Segundo ele, uma decisão tomada pelo ex-prefeito Juarez Costa (MDB) – atualmente deputado Federal –  há alguns anos comprometeu drasticamente a capacidade de ampliação do único cemitério público da cidade. “O prefeito, à época, vendeu uma esquina de 275 mil metros quadrados. Isso fez com que a área ficasse bastante contingenciada, pequena para atender a um crescimento urbano que chega a 10, 12, 14% ao ano — e, infelizmente, morre muita gente.”

Nilson destacou que durante sua gestão, construiu a capela mortuária e reforçou a segurança do local, dando continuidade a ações de outros prefeitos. Porém, a venda da área — classificada por ele como feita de forma “corrupta” — comprometeu todo o planejamento urbano para a expansão do cemitério.

“Agora está fazendo enterros em cima de outros túmulos, em corredores. Um local sagrado, de tanta dor, de saudade, não pode ser tratado assim. Isso foi feito por interesse econômico. Venderam essa área por um preço de banana para pessoa física, valor muito abaixo do mercado. Com certeza alguém embolsou dinheiro. Estou falando de forma direta.”

Leitão também relembrou que, na época, houve uma ação popular para tentar barrar a venda do terreno, mas a justiça acabou permitindo a transação. “Ainda tem uma ação criminal em curso. Eu espero que a justiça já esteja sendo feita. Parabéns ao Judiciário que está mantendo a investigação, porque aquele terreno é o prolongamento natural do cemitério, o único da cidade.”

Atualmente, o município de Sinop não conta com outra alternativa pública para sepultamentos. “Se morrerem dez pessoas hoje, as dez serão enterradas ali. Criança, idoso, acidente ou doença, não importa. E o espaço está acabando”, alertou.

Justiça manteve venda por R$ 11 milhões

A venda do terreno no centro de Sinop, alvo da indignação de Leitão, foi mantida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) após mais de dez anos de disputa judicial. A área foi comercializada por R$ 11 milhões, valor considerado abaixo do mercado por críticos da negociação. Embora a propriedade ainda não tenha sido ocupada, o processo ainda é alvo de ação criminal que apura possíveis irregularidades na transação.