Frente Parlamentar da Agropecuária define grupo de trabalho para discutir biomassa e áreas úmidas Publicado em 24/06/2026 às 15:30 Fonte: Redação Pauta Livre MT (foto: assessoria)Grupo reunirá representantes do setor produtivo, indústria, segmento florestal e governo para elaborar proposta técnica sobre biomassa, áreas úmidas e segurança jurídica no campoA Frente Parlamentar da Agropecuária da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), presidida pelo deputado Dilmar Dal Bosco (União), realizou nesta terça-feira (23), na sede da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), mais uma rodada de debates sobre temas considerados estratégicos para o setor produtivo.Na pauta estiveram as restrições ao uso da biomassa proveniente de áreas autorizadas para desmate, a regulamentação das áreas úmidas do Araguaia e Guaporé e os desdobramentos da derrubada do Veto 119/2025 ao Projeto de Lei Complementar 30/2025.Como principal encaminhamento, foi criada uma comissão formada por representantes do setor produtivo, da indústria, do segmento florestal e do poder público para elaborar uma proposta técnica a ser apresentada ao governo do Estado. Uma nova reunião da Frente Parlamentar já foi agendada para o próximo dia 7 de julho.No início deste mês, o governo do Estado e o Ministério Público Estadual (MPE) firmaram um Termo de Compromisso Ambiental para implantação do Plano de Desenvolvimento Florestal Sustentável de Mato Grosso, medida que gerou preocupação entre representantes do setor produtivo.Para o diretor executivo do Fórum Agro, Xisto Bueno, a proposta precisa considerar o aproveitamento da biomassa oriunda da supressão vegetal autorizada. “Foi criado um grupo para rediscutir o uso da biomassa e buscar uma solução que evite o desperdício desse material, garantindo segurança jurídica e sustentabilidade ambiental”, afirmou Bueno, ao defender a reabertura do debate sobre as áreas úmidas.O deputado Nininho (Republicanos) destacou que a intenção é construir um entendimento que preserve o meio ambiente sem comprometer o desenvolvimento econômico. “Vamos discutir com o governo e, se necessário, com o Ministério Público, para encontrar um consenso que preserve o meio ambiente sem inviabilizar investimentos e a geração de empregos”, disse.Representando a base florestal, Edney Blasius alertou para os impactos que a restrição pode causar ao setor. “Não podemos permitir um retrocesso que faça a biomassa, antes aproveitada pelas indústrias, voltar a ser queimada a céu aberto”, pontuou.Da mesma forma, o deputado Carlos Avallone (PSDB) ressaltou a necessidade de ampliar o diálogo entre os diversos segmentos envolvidos. “Precisamos construir uma alternativa em conjunto, ouvindo todos os setores, para garantir segurança jurídica, desenvolvimento econômico e proteção ambiental”, destacou.A secretária de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman, destacou que o governo estadual mantém diálogo permanente com todos os setores envolvidos e defendeu a construção conjunta das políticas públicas. Segundo ela, as contribuições apresentadas durante a reunião serão consideradas na elaboração dos instrumentos que regulamentarão o tema. “Tudo aquilo que for legalmente possível será incorporado aos documentos que estão sendo construídos, sempre com diálogo e participação dos setores envolvidos”, afirmou.Além da biomassa, a resolução do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema), que regulamenta o uso sustentável, a preservação e a recuperação das áreas úmidas, também foi debatida. O setor defende a reabertura das discussões sobre pontos específicos da norma, especialmente em relação às áreas conhecidas como murundus, buscando critérios técnicos que assegurem a produção agropecuária e a conservação ambiental.PLC 30/2025 – Durante a reunião, representantes do setor também comemoraram a derrubada, pela Assembleia Legislativa, do Veto nº 119/2025 ao PLC nº 30/2025, de autoria do deputado Dilmar Dal Bosco (União).Bueno explicou que é importante porque a proposta amplia de 90 dias para um ano, prorrogável por igual período, o prazo para apresentação do Plano de Recuperação Ambiental pelos produtores rurais após a aprovação do Cadastro Ambiental Rural (CAR).Segundo o Fórum Agro, a mudança é necessária diante do aumento significativo no número de análises e aprovações de CARs após a implantação do CAR Digital, tornando inviável o cumprimento do prazo atual pelos profissionais responsáveis pela elaboração dos planos ambientais.