Laudo da Polícia Civil detalha cronologia e reforça gravidade na morte de adolescente em Guarantã do Norte

Laudo da Polícia Civil detalha cronologia e reforça gravidade na morte de adolescente em Guarantã do Norte
Publicado em 20/05/2025 às 7:37

Fonte: Redação Pauta Livre MT (foto: arquivo pessoal )

A Polícia Civil concluiu a investigação sobre a morte de Kethlyn Vitória de Souza, de apenas 15 anos, e apontou que a adolescente teve o óbito constatado apenas 33 minutos após deixar um bar na cidade de Guarantã do Norte (MT), na madrugada do dia 3 de maio. O autor do disparo foi o próprio namorado da vítima, o médico Bruno Felisberto do Nascimento Tomiello, de 29 anos, que confessou o crime.

O laudo policial detalha minuto a minuto os acontecimentos da noite do crime e mostra que, desde a saída do casal do Bar Contêiner até a declaração do óbito no Hospital Regional, se passaram pouco mais de meia hora. Veja abaixo a cronologia dos fatos:

  • 0h55: Bruno e Kethlyn deixam o Bar Contêiner.
  • 0h58: O carro é flagrado trafegando pela Avenida Pioneiro José Nelson Coutinho.
  • 0h59: Veículo acessa a Avenida Guarantã; neste momento, a vítima é colocada no colo do suspeito dentro do carro.
  • 0h59 – 1h00: O disparo fatal é efetuado dentro do veículo.
  • 1h01: Bruno dirige em alta velocidade pela Avenida Dante Martins de Oliveira em direção ao hospital.
  • 1h02: Chegada ao Hospital Regional.
  • 1h02 – 1h28: Óbito de Kethlyn é constatado. Neste intervalo, o médico quebra portas e equipamentos da unidade.
  • 1h28: A direção do hospital aciona a Polícia Militar.
  • 1h31: PM chega ao local, mas Bruno já havia fugido.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Waner Neves, a hipótese de disparo acidental foi descartada. “A investigação demonstrou que o médico estava manuseando a arma de forma irresponsável, o que caracteriza dolo eventual — ele não quis matar, mas assumiu o risco ao brincar com uma arma de fogo dentro de um veículo em movimento”, explicou.

Bruno foi indiciado por sete crimes: feminicídio, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, disparo de arma de fogo, dirigir sob efeito de álcool, entregar veículo a pessoa não habilitada, fornecer bebida alcoólica a menor de idade e dano ao patrimônio público.

A soma das penas pode chegar a 62 anos de prisão, com cumprimento inicial em regime fechado. Após o crime, o médico fugiu, mas se entregou à polícia dois dias depois. Ele permanece preso preventivamente.

A morte precoce de Kethlyn causou grande comoção na cidade. Familiares e amigos cobram justiça e reforçam que a adolescente era uma jovem alegre, com muitos sonhos interrompidos pela irresponsabilidade de quem deveria protegê-la.