QUESTÕES ADMINISTRATIVAS

Mulher morre após esperar mais de um ano por remédio enquanto prefeitura de Tabaporã recorria da Justiça

Mulher morre após esperar mais de um ano por remédio enquanto prefeitura de Tabaporã recorria da Justiça
Publicado em 25/03/2026 às 10:05

Fonte: Pauta Livre MT/Cleber Romero (foto: divulgação)

A moradora de Tabaporã, (198 quilômetros de Sinop), Clarice Dias da Cruz, morreu hoje, após mais de um ano aguardando que o poder público fornecesse o medicamento essencial ao seu tratamento. Mesmo com decisão judicial favorável, o Município recorreu, prolongando ainda mais a espera.

Documentos do próprio processo mostram que a Justiça havia determinado o fornecimento do medicamento em prazo curto, sob pena de bloqueio judicial. Ainda assim, a Prefeitura optou por questionar a decisão, alegando questões administrativas e de competência entre os entes públicos.

Enquanto o debate jurídico se arrastava, Clarice seguia sem acesso ao tratamento. O desfecho veio de forma trágica: morreu antes que o medicamento fosse disponibilizado.

O caso levanta críticas diretas à condução da saúde pública no município. O prefeito Carlão Borchardt tem destacado, em diversas ocasiões, economia de recursos e saldo positivo nas contas públicas. No entanto, a situação expõe um contraste duro: a existência de recursos não impediu que uma vida fosse perdida por falta de acesso a um medicamento.

Mais do que uma discussão técnica sobre responsabilidade entre Município, Estado ou União, o episódio escancara uma questão central: o tempo da burocracia não pode ser maior que o tempo da vida.

Agora, o caso deve ganhar novos desdobramentos, com possível responsabilização dos envolvidos e questionamentos sobre a prioridade dada à saúde pública em Tabaporã.