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Nilson Leitão critica governo e cobra ações efetivas para o agro

Nilson Leitão critica governo e cobra ações efetivas para o agro
Publicado em 06/05/2025 às 9:10

O presidente do Instituto Pensar Agro e conselheiro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Nilson Leitão, fez duras críticas ao governo federal e cobrou medidas concretas em defesa do agronegócio. Em entrevista recente, o ex-deputado federal apontou a ausência de segurança jurídica, a demora em decisões estruturais e ironizou declarações do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

“O Mercadante dizer que taxar importações é uma oportunidade para o agro é o mesmo que afirmar que o ladrão, ao roubar sua TV, te deu a chance de comprar outra. Que conversa é essa?”, disparou Leitão, em tom de indignação.

Para ele, o setor produtivo continua à mercê de decisões políticas adiadas há décadas. Ele citou a demarcação de terras indígenas, a falta de modernização da reforma agrária e o vácuo legal sobre a propriedade rural como entraves que emperram o avanço do setor.

“Cada governo que passa empurra o problema com a barriga. Enquanto isso, o produtor fica vulnerável, sem saber se terá garantias mínimas para continuar produzindo”, afirmou o conselheiro.

Leitão também rebateu a ideia de que o aumento de tarifas de importação poderia beneficiar o agro nacional. Para ele, qualquer nova carga tributária pode comprometer ainda mais a já difícil realidade enfrentada pelo produtor rural.

“O Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do mundo. Um aumento de 1% ou 2% já é suficiente para quebrar o pequeno e o médio produtor. Não dá para romantizar o agro como se tudo fosse fácil”, alertou.

Entre os principais desafios enfrentados pelo setor, o conselheiro listou a precariedade logística, a falta de estradas, o alto custo do transporte e a limitação do seguro rural. Ele classificou o discurso de que o agro vive em um “mar de brigadeiro” como desconectado da realidade.

Leitão também abordou a atuação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), reconhecendo sua importância, mas pontuando falhas. Segundo ele, falta unidade entre os parlamentares ligados ao setor, o que enfraquece pautas prioritárias.

“Tem gente que se elege com a bandeira do agro, mas na hora da votação, vira as costas. O caminho é convencer todos os dias, mostrar que o que é bom para o campo é bom para o país”, disse.

Ao ser questionado sobre o desempenho do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), o conselheiro evitou críticas diretas, mas cobrou uma postura mais firme. “O agro não precisa de discurso. Precisa de ação”, concluiu.