O fogo amigo vivido pelo líder de todas as pesquisas ao Governo de MT

O fogo amigo vivido pelo líder de todas as pesquisas ao Governo de MT
Publicado em 09/06/2026 às 19:32

Por Clemerson Mendes (foto: assessoria/arquivo)

Liderar todas as pesquisas de intenção de voto deveria ser o cenário ideal para qualquer pré-candidato ao Governo de Mato Grosso. Mas, para o senador Wellington Fagundes (PL), os números favoráveis nas ruas parecem contrastar com uma realidade bem mais complexa dentro de casa.

O parlamentar chega à pré-campanha como um dos nomes mais competitivos da disputa, mas enfrenta uma situação que desafia a lógica eleitoral: como alguém que aparece na dianteira das pesquisas ainda precisa lutar para garantir a própria candidatura?

A revelação de que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi procurado por lideranças interessadas em convencer o PL a não lançar candidato ao Governo expôs uma disputa que até então acontecia longe dos holofotes. Mais do que um embate entre adversários, trata-se de uma queda de braço travada dentro do próprio campo político de Wellington.

A questão que paira sobre o cenário é simples: por que um partido abriria mão de um candidato que lidera as intenções de voto? O receio de uma derrota? Com certeza não… A busca por alianças mais amplas? Também não, já que até o momento o único partido a flertar com os liberais, o MDB é endemonizado por uma ala radical e muito barulhenta dentro do PL.

Os sinais de resistência se multiplicam. O fogo amigo cresce a cada dia, o deputado federal José Medeiros já declarou publicamente que Wellington não deveria disputar o Governo e assim como o prefeito Abilio Brunini, de Cuiabá e o deputado estadual Gilberto Cattani fazem campanha, um dia sim, outro dia também contra qualquer tipo de coligação entre PL e MDB em Mato Grosso.

E não bastasse isso, o próprio Abílio em Cuiabá, Flávia Moretti, prefeita de Várzea Grande e Cláudio Ferreira, prefeito de Rondonópolis, dos três maiores colgéios eleitorais do estado e prefeitos do mesmo partido de Fagundes, demonstram simpatia pelo outro lado, o projeto de reeleição do governador Otaviano Pivetta. Isso sem contar com Sinop, onde o prefeito Roberto Dorner, também do PL, apesar de não declarar oficialmente apoio à Pivetta, tem uma aproximação com o governador, já que Dorner antes de assumir o PL sinopense, foi eleito em seu primeiro mandato pelo Republicanos de Otaviano Pivetta.

Nos bastidores, o senador também aponta a atuação de setores influentes do agronegócio que, segundo ele, trabalham há mais de um ano para retirar seu nome da corrida eleitoral. Diante desse cenário, a convenção partidária ganha contornos de um verdadeiro teste de força. Afinal, o peso das pesquisas prevalecerá sobre as articulações internas? A militância conseguirá impor a candidatura? Os acordos construídos nos bastidores falarão mais alto? Ou o fogo amigo dentro de seu próprio partido vencerá esta batalha ideológica?

O paradoxo é evidente. Enquanto Wellington tenta convencer o eleitorado de que está pronto para governar Mato Grosso, precisa antes convencer parte do próprio partido de que merece disputar. E talvez esteja justamente aí a maior batalha de sua trajetória política: não vencer a eleição de 2026, mas conquistar o direito de estar na urna quando ela começar.