Geração Preguiçosa?

Opinião: O mercado de trabalho sob o olhar de uma “Gen Z”

Opinião: O mercado de trabalho sob o olhar de uma “Gen Z”
Publicado em 07/10/2025 às 16:59

Se você tem menos de 25 anos, assim como eu, provavelmente já ouviu que nossa geração é preguiçosa, descomprometida e até incompetente. Recebemos os piores estereótipos daqueles que ainda não entendem que a forma como nos relacionamos com o mercado de trabalho é diferente.

A Geração Z – ou Gen Z, para os íntimos – é frequentemente alvo de críticas de empresários, chefes ou colegas, justamente por termos um novo olhar sobre propósito, salário, qualidade de vida, pertencimento e crescimento profissional.

A Gen Z, nascida entre 1997 e 2010, está no auge de sua juventude: descobrindo o mundo, iniciando novas jornadas e, claro, entrando no mercado de trabalho. Segundo o Fórum Econômico Mundial, até o final de 2025, nossa geração deve representar cerca de 27% da força de trabalho mundial, o que representa mais de 2 bilhões de pessoas que não se adaptam mais às condições tradicionais de trabalho.

Crescemos vendo nossos pais e irmãos se doarem quase por completo ao trabalho, conciliando jornadas exaustivas com estudo e a promessa de que qualificação traria mais dinheiro e qualidade de vida. “Trabalhe enquanto eles dormem”, quem nunca leu isso por aí?

Vimos nossos avós sofrerem por falta de acesso a educação de qualidade e ouvimos de nossos pais que estudar era a chave para mudar esse cenário. Nossos irmãos mais velhos foram os primeiros a investir nesse propósito, muitas vezes caindo na armadilha da meritocracia, que nem sempre é justa.

O resultado? Uma economia instável, excesso de profissionais no mercado, vagas desiguais e a constante sensação de que ainda não somos qualificados o suficiente. Empresas oferecem salários baixos para cargos que exigem anos de experiência, dezenas de cursos, dois ou mais idiomas, e “habilidades que te destaque dos demais”. Tudo isso para contratar prestadores de serviço, mas cobrar dedicação de CLT.

Não quero ser advogada do diabo. Assim como em qualquer geração, existem as “maçãs podres”, que não assumem responsabilidades. Mas muitos de nós já estão no mercado, formando suas próprias famílias e construindo carreiras. Também entendo os desafios da classe empresarial no Brasil. Não é fácil gerir negócios, especialmente para autônomos, com tantos impostos e burocracia. Ainda assim, gostaríamos que nossos chefes compreendessem: não buscamos Burnout, nem abrir mão da vida apenas pelo trabalho.

Nós valorizamos a atenção à saúde mental, tempo de qualidade com família, amigos, parceiros e momentos só nossos. Queremos que o trabalho seja parte da vida, não o contrário. Buscamos empregos dignos, salários justos e jornadas humanas. Afinal, é isso que somos: humanos.

A geração que cresceu na Internet, agora imersa nas ferramentas de inteligência artificial, só quer ser vista como seres de carne e osso, movidos por propósito. E o maior deles é conciliar vida profissional e pessoal sem que uma domine a outra.

Nós não vivemos pelo trabalho. Nós trabalhamos para viver.

Raiane Florentino. Jornalista | Criadora de Conteúdo Multi-plataforma. LinkedIn: linkedin.com/in/raianeflorentino | Instagram: @raianeflorentino