Pivetta fracassa contra Wellington, mira Jayme e corre para evitar isolamento Publicado em 26/07/2026 às 11:01 Fonte: Deixa Que Eu Te Conto (foto: assessoria)O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) fracassou na tentativa de retirar o senador Wellington Fagundes da disputa pelo Governo de Mato Grosso. Com o PL oficialmente fora de seu alcance, o grupo governista concentra agora seus esforços em impedir que Jayme Campos também seja homologado candidato e tenta atrair Janaína Riva e Max Russi para evitar um isolamento eleitoral.A ofensiva ocorre enquanto Pivetta enfrenta uma dificuldade que acompanha sua candidatura desde o início da pré-campanha: mesmo com o apoio de Mauro Mendes, a estrutura do Governo e a exposição proporcionada pelo comando do Estado, seu nome ainda não conseguiu assumir uma liderança consistente nas pesquisas.Levantamentos divulgados desde o fim de 2025 mostram Pivetta competitivo, mas sem decolar. Em diferentes cenários, Wellington aparece na liderança, enquanto Jayme também disputa as primeiras posições. O resultado mais favorável ao governador registrou empate técnico com o candidato do PL, mas ainda não foi suficiente para estabelecer uma tendência consolidada de crescimento.Essa dificuldade ajuda a explicar a tentativa de reduzir o número de adversários dentro do mesmo campo político.O primeiro grande confronto ocorreu contra Wellington.Durante semanas, as direções nacionais do Republicanos e do PL discutiram uma composição para Mato Grosso. O Republicanos defendia a retirada da candidatura de Wellington e o apoio do PL a Pivetta. Em contrapartida, a legenda poderia participar de um entendimento nacional em torno da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, apareceu como um dos interlocutores da articulação, que buscava construir uma candidatura única da direita no estado.O PL, porém, não cedeu.Wellington manteve sua pré-candidatura, percorreu municípios, consolidou apoios internos e teve seu nome oficializado na convenção estadual da legenda. A decisão encerrou a possibilidade de o partido entregar seu palanque a Pivetta.Depois da convenção, o governador afirmou que havia pedido ao presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, para retirar Mato Grosso das negociações com o PL. Segundo Pivetta, a solicitação teria ocorrido cerca de 15 dias antes, porque a situação estadual deveria ser resolvida pelas próprias lideranças locais.A declaração buscou demonstrar autonomia. A cronologia, entretanto, permite outra leitura.O Republicanos tentou retirar Wellington da disputa, o PL rejeitou a composição e confirmou candidatura própria. Somente depois desse desfecho Pivetta tornou público que havia pedido o encerramento das conversas nacionais.Independentemente da data da ligação, o resultado político é objetivo: o acordo pretendido pelo Republicanos não avançou.Pivetta não desistiu da disputa pelo Palácio Paiaguás. Desistiu, depois de derrotado na articulação, de continuar tentando retirar Wellington do caminho.Com o PL definido, o foco do grupo governista mudou para o União Brasil.O partido está dividido entre o projeto de candidatura de Jayme Campos e a ala ligada a Mauro Mendes, que trabalha para levar a federação formada por União Brasil e PP ao palanque de Pivetta.Jayme defende que o grupo tenha candidatura própria e pretende submeter seu nome à convenção. Mauro Mendes, por sua vez, tenta manter o partido dentro da atual base governista e evitar que outro adversário saia da aliança que o elegeu em 2022.A convenção do União Brasil será o próximo grande teste de Pivetta.Se Jayme for homologado, o governador enfrentará dois senadores competitivos: Wellington pelo PL e Jayme pela federação União Progressista.Mesmo que a ala governista consiga barrar a candidatura, não há garantia de que todas as lideranças ligadas à família Campos apoiarão Pivetta. Jayme mantém influência sobre prefeitos, parlamentares, vereadores e dirigentes partidários de diferentes regiões.O governador pode conseguir o apoio formal do União Brasil e, ainda assim, enfrentar uma divisão interna capaz de enfraquecer seu palanque.A situação se torna mais delicada porque Janaína Riva e Max Russi, apontados como prioridades nas articulações de Pivetta, também conversam com Jayme.Janaína preside o MDB em Mato Grosso e mantém sua pré-candidatura ao Senado. Max comanda o Podemos e ocupa a presidência da Assembleia Legislativa. Juntos, os dois representam estrutura partidária, tempo de propaganda, candidaturas proporcionais e influência entre prefeitos e lideranças municipais.Os três já discutiram a possibilidade de construir um arco de alianças. Caso Jayme seja homologado, MDB e Podemos poderão se unir ao senador e formar um bloco originado dentro da própria base que sustentou Mauro Mendes e Pivetta nos últimos anos.Para Jayme, essa composição demonstraria força e viabilidade eleitoral. Para Pivetta, representaria a perda simultânea de dois partidos que ainda tenta levar para seu palanque.A possibilidade explica a ofensiva do governador sobre Janaína.A deputada passou a ser cotada para integrar a chapa governista, inclusive como possível candidata a vice. A composição poderia levar o MDB para a aliança, fortalecer eleitoralmente Pivetta e retirar uma peça importante de uma eventual candidatura de Jayme.Janaína, no entanto, não abandonou seu projeto ao Senado, e o MDB mantém diferentes caminhos em análise. O partido conversa com Pivetta e Wellington, mas também considera uma composição com Jayme caso o senador seja confirmado pelo União Brasil.O mesmo ocorre com Max Russi.Embora o Podemos faça parte da base administrativa do Governo, o partido ainda não formalizou apoio a Pivetta. Max mantém diálogo com diferentes candidatos e defende que a decisão seja tomada coletivamente pela legenda.MDB e Podemos podem acabar escolhendo o mesmo caminho. Se Janaína e Max optarem por uma composição com Jayme, o senador deixará de ser apenas um adversário interno e passará a comandar uma aliança com estrutura suficiente para disputar o Governo.O desempenho de Pivetta nas pesquisas pesa diretamente nessas negociações.Caso estivesse consolidado na liderança, o governador teria mais força para pressionar os partidos em nome da viabilidade eleitoral. Sem essa vantagem, Janaína, Max e Jayme preservam seus projetos e questionam por que deveriam abandonar suas posições para apoiar uma candidatura que ainda não se tornou favorita.A estrutura do Governo oferece capilaridade, visibilidade e poder de articulação, mas ainda não foi convertida em domínio eleitoral.O cenário atual contrasta com a eleição de 2022, quando União Brasil, Republicanos, PL, MDB, Podemos e outras siglas estiveram reunidos na coligação que reelegeu Mauro Mendes e Pivetta no primeiro turno.Quatro anos depois, essa unidade desapareceu.O PL oficializou Wellington. O União Brasil está dividido. MDB e Podemos negociam com diferentes grupos. O projeto governista também perdeu o controle do PRD depois que a direção nacional destituiu Mauro Carvalho do comando estadual e desmontou a estrutura organizada por seus aliados.Pivetta ainda possui o Republicanos, a máquina estadual, o apoio de Mauro Mendes e relações com lideranças municipais. Não está completamente isolado.Mas também não conseguiu reconstruir a força partidária que sustentou o grupo governista na eleição anterior.Para evitar que o risco de isolamento se concretize, precisa impedir a candidatura de Jayme, atrair Janaína, conquistar o MDB e convencer Max a levar o Podemos para sua chapa.Enquanto isso, Wellington já está confirmado, Jayme disputa a convenção, Janaína preserva seu projeto ao Senado e Max mantém abertas as conversas com os demais candidatos.Depois de fracassar contra Wellington, Pivetta tenta evitar que Jayme reúna justamente os partidos que o governador precisa para recuperar força.Pivetta quer demonstrar que ainda controla o jogo. Até agora, porém, são os movimentos de seus adversários que continuam determinando seus próximos passos.