Publicadas regras que restringem publicidade de bets no país Publicado em 13/07/2026 às 8:37 Foram publicadas nesta sexta-feira (10) à noite as novas regras para a publicidade das plataformas de apostas esportivas, as chamadas bets. As medidas, que entram em vigor em 17 de julho, tornam obrigatória a exibição de advertências do Ministério da Fazenda em todas as campanhas e ampliam as restrições ao conteúdo das propagandas, com proibição de anúncios que incentivem apostas como forma de ganhar dinheiro ou utilizem comentaristas para influenciar o público.As normas foram publicadas em duas portarias: uma do Ministério da Fazenda e outra dos Ministérios da Fazenda; da Justiça e Segurança Pública; e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. As medidas fazem parte da estratégia do governo para reforçar a proteção dos consumidores e endurecer a fiscalização sobre o setor.Alertas obrigatóriosTodas as propagandas de empresas autorizadas a operar no Brasil deverão exibir uma das seguintes mensagens:• “Ministério da Fazenda adverte: Apostar pode causar dependência”;• “Ministério da Fazenda adverte: Apostar faz você perder dinheiro”;• “Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento”.Segundo a portaria, os avisos deverão aparecer na horizontal, de forma clara, legível e proporcional ao restante da publicidade, ocupando pelo menos 10% do comprimento ou do tamanho do anúncio.O modelo é semelhante ao utilizado em campanhas publicitárias de produtos como cigarros e bebidas alcoólicas.Novas restriçõesAlém das advertências, as portarias estabelecem uma série de proibições para as campanhas publicitárias das bets.Entre as principais vedações estão:• apresentar apostas como investimento, fonte de renda ou solução financeira;• sugerir ganho fácil ou enriquecimento rápido;• criar senso de urgência para estimular apostas imediatas;• divulgar histórico de premiações ou ganhos para incentivar apostas;• induzir consumidores ao erro com informações falsas ou enganosas;• utilizar mensagens de cunho sexual, discriminatório ou ofensivo;• direcionar publicidade a crianças e adolescentes.Também ficam proibidas campanhas que associem apostas ao sucesso pessoal, social ou financeiro ou que apresentem o jogo como prioridade na vida.Comentaristas proibidosAs novas regras também atingem transmissões esportivas e programas de análise.A partir da entrada em vigor das portarias, comentaristas, especialistas e analistas não poderão utilizar sua autoridade técnica para sugerir ou recomendar apostas específicas durante eventos esportivos.A norma proíbe a divulgação de estratégias, análises ou opiniões capazes de influenciar a realização de apostas em determinado jogo ou mercado.Na quinta-feira (9), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, havia anunciado a edição das portarias. Segundo ele, a intenção é impedir que comentários técnicos sirvam como incentivo ao jogo.Empresas ilegaisO governo também reforçou que veículos de comunicação, plataformas digitais, agências de publicidade e demais meios de divulgação não poderão veicular anúncios de empresas de apostas que não tenham autorização para operar no Brasil.Conforme Durigan, a política do governo é “tolerância zero” com as bets ilegais.A medida complementa outras ações adotadas nas últimas semanas, como a notificação de fintechs que movimentavam recursos de plataformas clandestinas e a derrubada de milhares de sites irregulares.PenalidadesO descumprimento das novas regras poderá resultar em sanções administrativas às empresas autorizadas.As punições previstas incluem:• multas de até 20% do faturamento da operadora;• suspensão da autorização de funcionamento por até 180 dias;• cassação da licença em casos de reincidência grave.Além disso, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) informou que veículos e empresas responsáveis pela divulgação de publicidade irregular poderão receber multas de até R$ 14 milhões.O governo também prevê responsabilizar as casas de apostas caso influenciadores contratados descumpram as regras, além da possibilidade de remoção do conteúdo considerado irregular. Link da matéria / Fonte