Secretário de Saúde de Sinop deixa cargo após divergências internas e pressão política

Secretário de Saúde de Sinop deixa cargo após divergências internas e pressão política
Publicado em 05/05/2025 às 18:23

Fonte: Redação Pauta Livre MT (foto: divulgação)

O secretário municipal de Saúde de Sinop, Orodovaldo Miranda, entregou sua carta de demissão ao prefeito Roberto Dorner (PL), encerrando uma breve e turbulenta passagem à frente da pasta. A saída foi confirmada, há pouco, na redes sociais da prefeitura A saída, ocorre em meio a um cenário de crescentes desgastes internos, pressões administrativas e conflitos com outros setores do governo.

Poucas horas após o pedido de desligamento, Dorner divulgou um vídeo institucional confirmando a saída de Miranda, agradecendo pelos serviços prestados e desejando sucesso em sua trajetória. Até o fechamento desta edição, o nome do novo titular da pasta ainda não havia sido anunciado.

O clima de instabilidade na gestão de Miranda vinha se intensificando desde abril. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu no dia 25, após um tumulto na Policlínica Menino Jesus. Na ocasião, o então secretário anunciou publicamente o aumento de médicos nas unidades básicas de saúde. No entanto, fontes internas apontaram que esses profissionais já estavam atuando nas unidades há meses, sem o suporte necessário prometido pela gestão.

O ponto de ruptura se deu em 29 de abril, durante uma reunião convocada por vereadores, com a presença do prefeito Dorner, do vice-prefeito, da secretária de Governo Faira Strapazzon e de 14 dos 15 vereadores da Câmara Municipal. O encontro teve forte carga política e revelou um cenário de contradições. Miranda, que em conversas reservadas teria afirmado que “a gestão não deixava ele trabalhar”, adotou uma postura mais contida diante do prefeito e demais autoridades.

“Foram duas horas de reunião e ficamos sem entender. O que foi nos dito antes, ele não teve coragem de repetir na frente do prefeito”, disse um vereador presente, sob condição de anonimato.

Durante o encontro, a secretária de Governo, Faira Strapazzon, também se pronunciou, rebatendo as insinuações de interferência em outras pastas. “Cada um cuida da sua pasta. Nós, das secretarias meio, somos apoio. Meu papel é gerir. Estou para contribuir”, afirmou, conforme relatos de participantes da reunião.

A falta de alinhamento entre as falas de Miranda e sua postura pública, aliada ao desgaste com o Legislativo e com colegas do Executivo, selou seu isolamento político dentro da gestão Dorner. Com a confiança comprometida, sua permanência tornou-se insustentável.

Agora, a administração municipal enfrenta um desafio estratégico. A Secretaria de Saúde é uma das áreas mais sensíveis da gestão e, segundo fontes políticas, o nome a ser escolhido precisará unir capacidade técnica, habilidade política e força de articulação para superar os entraves e recuperar a credibilidade da pasta junto à população e aos servidores.