Sindicato Rural de Sinop e entidades debatem avanços da Ferrogrão Publicado em 24/07/2025 às 9:28 Fonte: Redação Pauta Livre MT (foto: assessoria)A Câmara Municipal de Sinop sediou, na quarta-feira (23), uma importante apresentação técnica sobre os avanços e desafios do projeto da Ferrogrão (EF-170), ferrovia que deve ligar Sinop (MT) ao distrito de Miritituba, em Itaituba (PA). O encontro reuniu lideranças políticas, empresariais e representantes do setor produtivo, como o Sindicato Rural de Sinop, reforçando a mobilização regional em torno do tema.A palestra foi conduzida pelo diretor da Estação da Luz Participações (EDLP), Guilherme Quintella, empresa responsável pelos estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental da ferrovia desde 2014. O projeto prevê a construção de 933 quilômetros de trilhos margeando a BR-163, com um terminal ferroviário em Sinop e investimentos estimados em R$ 20 bilhões, totalmente oriundos da iniciativa privada.Apesar dos avanços técnicos, a execução da obra segue condicionada à liberação jurídica por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), que analisa a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 6.553). O processo paralisou o projeto entre março de 2021 e maio de 2023. Todos os estudos foram entregues em 2024 e aguardam decisão para que o cronograma de início das obras em 2026 possa ser mantido.Durante o encontro, Quintella destacou que a Ferrogrão representa uma revolução logística e ambiental para o país. A ferrovia deve transportar até 70 milhões de toneladas por ano, gerar economia de R$ 8 bilhões em custos logísticos e reduzir em 20% o valor médio do frete em Mato Grosso. Também deve provocar uma drástica mudança na matriz de transporte, que passaria a ser 86% ferroviária no estado. Do ponto de vista ambiental, a expectativa é de uma redução de 3,4 milhões de toneladas de CO2 por ano, graças à substituição de milhares de caminhões por composições ferroviárias.Além disso, o projeto inclui uma extensão futura até Lucas do Rio Verde, criando um corredor logístico altamente competitivo. O custo de transporte por tonelada será de US$ 34 pela Ferrogrão, 40% menor que alternativas atuais como a Malha Norte e a Malha Paulista.O presidente do Sindicato Rural de Sinop, Ilson Redivo, participou da audiência e reforçou o compromisso histórico do setor agropecuário com a implantação da ferrovia. “A Ferrogrão é uma bandeira antiga do agronegócio mato-grossense. Há mais de uma década defendemos esse projeto como ferramenta indispensável para o escoamento eficiente da produção. É uma ferrovia que não apenas fortalece a competitividade do nosso setor, mas que também representa ganhos ambientais, redução de custos e desenvolvimento sustentável para toda a região norte de Mato Grosso. O Sindicato Rural de Sinop segue firme nesse debate, porque sabemos que a ferrovia é parte do futuro que queremos construir”, afirmou Redivo.A apresentação na Câmara reafirmou o engajamento de diferentes setores da sociedade sinopense e mato-grossense em torno da Ferrogrão, considerada uma das principais apostas do agronegócio e da indústria para consolidar o país como potência logística e agrícola de alcance global.