Taxação dos EUA sobre exportações brasileiras preocupa setor produtivo: “Não dá para exportar impostos”, diz vice da Famato Ilson Redivo e a jornalista Raiane Florentino falam sobre tarifaço de Trump - Foto: Reprodução Publicado em 18/07/2025 às 15:54 Fonte: Pauta Livre MT/Raiane FlorentinoDesde o anúncio das tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o setor produtivo brasileiro segue em alerta. Entidades representativas, especialmente da pecuária, têm manifestado forte preocupação com os impactos econômicos da medida, que pode comprometer a competitividade da carne bovina nacional no mercado internacional.A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) divulgou uma nota em que estima que, com a nova tarifa, o preço da tonelada da carne bovina mato-grossense pode chegar a US$ 8.600. Segundo a entidade, esse valor inviabiliza as negociações com os Estados Unidos, um dos principais centros consumidores do mundo.Em entrevista ao programa Rural News, que vai ao ar neste domingo (20), o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Ilson José Redivo, declarou que o setor produtivo vê a decisão de Trump com “profunda preocupação”. Para ele, a medida compromete diretamente a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.“Não dá para exportar impostos, dificilmente vamos conseguir repassar esses custos de impostos para o consumidor. Então isso causa uma grande apreensão e nós temos que considerar que os Estados Unidos é um grande centro consumidor e economicamente muito forte no mundo”, afirmou Redivo.O líder do setor também destacou a necessidade de uma atuação mais estratégica por parte do Governo Federal. Segundo ele, o momento exige diálogo, maturidade e habilidade política para proteger o agronegócio brasileiro de prejuízos ainda maiores.“Não se constrói nenhum tipo de relação comercial sem que se sente na mesa para negociar, e está faltando habilidade dos nossos governantes para que isso ocorra. O governo precisa ter a maturidade de pensar no bem-estar do povo brasileiro. O confronto não é o melhor caminho para resolver essa situação”, ressaltou.Redivo ainda comentou sobre o impacto social da medida, destacando que a população de menor renda será a mais afetada, principalmente diante do atual cenário econômico do país.“Quem mais vai sofrer são os que têm menor poder aquisitivo e que vão ter que pagar essa conta da inoperância do nosso governo. Já passou da hora de pararmos de falar do ex-presidente Jair Bolsonaro, e começarmos a falar sobre redução de gastos da gestão atual. Temos um futuro brilhante nesse país, mas precisamos que os governos acertem a nossa economia”, disse.Por fim, o vice-presidente da Famato reforçou a importância do setor produtivo para a economia nacional, lembrando que o agronegócio é responsável por gerar milhões de empregos e alimentar pessoas em diversas partes do mundo.A entrevista completa com Ilson José Redivo será exibida no próximo domingo (20), às 8h, no programa Rural News, pela Record News, canal 18.1 em Sinop. O conteúdo também estará disponível no YouTube, acessível por meio deste link.