TCU deu prazo e cobrou explicações da reitora da UFMT sobre uso de emenda parlamentar Publicado em 04/02/2026 às 21:27 Fonte: Pauta Livre MT (foto: reprodução)O Tribunal de Contas da União determinou prazo formal para que a reitora da Universidade Federal de Mato Grosso, Marluce Aparecida Souza e Silva apresente explicações sobre denúncia que aponta possíveis irregularidades na execução orçamentária e no remanejamento de recursos provenientes de emenda parlamentar de bancada, no ano passado.O alerta consta em ofício da Secretaria Geral de Controle Externo do TCU, que PAUTA LIVRE MT teve ACESSO COM EXCLUSIVIDADE, informa a autuação do processo e a abertura de diligência considerada urgente. A Corte de Contas recebeu denúncia específica envolvendo a emenda de bancada nº 71120009, destinada à UFMT, e identificou indícios que levantam dúvidas sobre a destinação e a integridade dos recursos públicos.O documento deixa claro que o caso está em fase de análise preliminar, mas já traz um sinal grave. O autor da denúncia solicitou, inclusive, medida cautelar para impedir a movimentação dos valores até a conclusão das apurações, o que indica receio concreto de uso em finalidade diversa da originalmente prevista. A solicitação de cautelar costuma ser adotada apenas quando há risco efetivo ao erário.Diante disso, o TCU fixou prazo curto para que a reitora disponibilize acesso integral aos processos administrativos internos relacionados à execução da emenda, exigindo transparência total, inclusive com acesso online prolongado aos autos no sistema da universidade. O tom do ofício é institucional, mas firme, e reforça que o não cumprimento da diligência pode resultar em multa pessoal, prevista na Lei Orgânica do Tribunal.O caso expõe mais uma vez fragilidades recorrentes na gestão orçamentária da UFMT, já alvo de questionamentos anteriores sobre transparência, controle interno e governança. O próprio TCU menciona problemas persistentes no sistema público de acesso a documentos da universidade, que estaria dificultando o download de arquivos oficiais, o que agrava a percepção de opacidade administrativa.Embora ainda não haja julgamento de mérito, o simples fato de o Tribunal de Contas da União instaurar diligência com pedido de urgência e possibilidade de sanção sinaliza que a denúncia não foi considerada trivial. Em um cenário de escassez de recursos para a educação superior, qualquer indício de desvio de finalidade ou remanejamento irregular de emendas parlamentares representa não apenas um problema técnico, mas uma afronta direta ao interesse público.A reitoria agora tem a obrigação institucional de esclarecer, com documentos e dados verificáveis, como os recursos foram executados e por qual razão teria sido remanejados. O silêncio, a demora ou explicações genéricas podem aprofundar a crise e ampliar a responsabilidade da gestão.O processo segue em análise no TCU, que não descarta novas diligências ou a adoção de medidas mais duras caso as informações prestadas não sejam suficientes para afastar as suspeitas.Conforme Pauta Livre já informou, a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) encerrou 2025 com um prejuízo direto de R$ 1,4 milhão em recursos federais não executados e com o desvio de R$ 13,5 milhões originalmente destinados à conclusão do Câmpus de Várzea Grande para despesas alheias à obra. As decisões ocorreram sob a gestão da reitora Marluce Aparecida Souza e Silva, contrariando deliberações da Bancada Federal de Mato Grosso e dos três Conselhos Superiores da própria universidade.Outro lado Pauta Livre MT não conseguiu contato com a assessoria da UFMT em Cuiabá.