UFMT perde R$ 4,5 milhões por falhas de gestão e expõe crise administrativa na reitora Publicado em 19/02/2026 às 8:17 Fonte: Pauta Livre MT (foto: reprodução)A publicação da Portaria GM/MPO nº 502, de 15 de dezembro de 2025, no Diário Oficial da União, revelou um dado que expõe fragilidades na gestão da Universidade Federal de Mato Grosso. A instituição teve cancelados aproximadamente R$ 4,5 milhões em recursos orçamentários ao final do exercício, valor significativamente superior ao de universidades e institutos federais comparáveis.Os números chamam atenção. A UFMT perdeu cerca de R$ 3,2 milhões do programa 20RK, voltado ao funcionamento das universidades federais, e aproximadamente R$ 1,3 milhão do programa 4002, destinado à assistência estudantil. Enquanto isso, a UFR registrou cancelamento simbólico de R$ 65,00 e o IFMT perdeu apenas R$ 2.429,00 em recursos discricionários.O cancelamento ocorre quando a instituição não consegue empenhar e processar o orçamento dentro dos prazos estabelecidos para o encerramento do ano. Em termos práticos, significa que o dinheiro estava disponível, mas não foi utilizado a tempo. Não se trata de sobra ou excesso de recurso, mas de falha na execução orçamentária.O cenário se torna ainda mais preocupante quando se observa que, paralelamente à perda milionária, a universidade precisou reconhecer despesas essenciais de 2025 já no exercício seguinte. Dois processos administrativos de 2026 indicam o reconhecimento de quase R$ 1 milhão em despesas de energia elétrica referentes a dezembro de 2025 e mais de R$ 510 mil em contratos de limpeza do mesmo período. Ou seja, despesas básicas foram empurradas para o orçamento de 2026, pressionando as contas do novo exercício.Há também registros de momentos em que a UFMT operou com “saldo invertido”, situação em que os limites de empenho são extrapolados, podendo gerar bloqueios e cancelamentos. Outro ponto sensível envolve cancelamentos realizados sem a devida comunicação a fornecedores, que teriam mantido serviços normalmente, obrigando a instituição a reconhecer posteriormente que não havia crédito suficiente para pagamento.O resultado é um quadro que levanta questionamentos sobre planejamento, controle e execução financeira na gestão da reitora Marluce Aparecida Souza e Silva. Em um momento em que universidades federais enfrentam restrições orçamentárias históricas, a perda de milhões por falhas administrativas agrava o cenário e gera questionamentos dentro e fora da comunidade acadêmica.Diante dos números, a pergunta ecoa nos corredores da instituição: onde estavam os mecanismos de controle interno e qual foi o papel do Conselho Universitário diante do fechamento de 2025? A expectativa agora é por esclarecimentos públicos sobre as responsabilidades e as medidas adotadas para evitar que a situação se repita.Conforme Pauta Livre já informou com exclusividade, mensagens trocadas no grupo de WhatsApp “UFMT com Lula”, formado por docentes e servidores da Universidade Federal de Mato Grosso, revelam um ambiente de tensão política interna, tentativas de controle da narrativa pública e uma ação coordenada de apoiadores da reitora Marluce Aparecida Souza e Silva após a divulgação de críticas envolvendo a condução de emendas parlamentares.